quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Saiba como são criados os games

O desenvolvimento de jogos eletrônicos é um processo longo e trabalhoso. Conheça alguns estudantes da área e como funciona essa criação

O desenvolvimento de um jogo eletrônico passa por diversas fases que começam bem longe do computador. A primeira coisa é usar a criatividade para pensar e criar um roteiro sobre a história do game. "E a partir daí começa: vai ser feito o desenho, do desenho se faz a escultura, então essa escultura serve como base para que você possa desenhar o personagem ou o cenário em 3D. Aí você tem as peças para montar o seu jogo" conta Rogério Felix, coordenador do curso de desenvolvimento de games da escola Saga.

Ou seja, para criar um único personagem, o primeiro passo é fazer um desenho minucioso à mão para depois esculpir esta imagem com uma massa especial. A partir da escultura, a imagem é escaneada em 3D e trabalhada no computador. O trabalho é grande, exige cuidados, vontade, técnica e muito estudo.

Os games são criados sempre em equipes, com especialistas em cada uma das funções, mas é fundamental que todos saibam realizar cada uma das tarefas. "A idéia deles estudarem todas as etapas serve para que, ao trabalhar em  equipe, eles saibam se respeitar e entender os prazos e evoluções de cada etapa", explica Félix.

Ainda assim, nem todo mundo se dá muito bem em todas as áreas. A estudante Priscila Magalhães desenha muitíssimo bem, mas não consegue mexer com a programação. "Não é pra mim, é muito complicado. Meu negócio é arte mesmo", brinca.

Na escola Saga, em São Paulo, os alunos estudam 20 horas por mês. Mesmo aqueles que chegam aqui sem saber absolutamente nada sobre o desenvolvimento de games, não demoram para criar os próprios jogos. "Um jogo mais simples, um aluno com dedicação em três ou quatro meses ele consegue fazer um demo jogável. Uma linha mais de mercado, para um público mais seleto, um jogo mais casual, em um ano, um ano e dois meses. Para aquela linha hardcore mesmo são dois anos, com uma equipe centrada e organizada" afirma Félix.

A produção de um jogo é bastante complexa e, no Brasil, o mercado ainda é fraco. Em compensação, os profissionais brasileiros são de ponta e se destacam fora do paí. Felix afirma que nós ainda exportamos muito de nossos profissionais, mas em breve, demevos ter mais pessoas trabalhando aqui dentro.

Muitos alunos chegam ao curso simplesmente pela paixão pelos games, mas é só começar que a coisa fica séria. "Comecei porque gosta de jogos, mas depois de um tempo eu vi que dá para se profissionalizar na área mesmo", conta o estudante Guilherme Rambelli.

O único risco de entrar nesse ramo é o mesmo de começar a jogar videogame: perder a noção do tempo e não conseguir parar mais. Diferente de outros casos, nesta escola, ninguém quer ir embora pra casa depois da aula. "A gente tem uma dificuldade dos alunos terem uma vida social. Porque quando eles não estão jogando, eles estão desenvolvendo seus jogos. A gente fica aberto de segunda a sábado e no domingo tem gente que pergunta se não pode vir pra continuar estudando alguma coisa", brinca o coordenador.
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